Por Vitória Olinda Barros*

 

O recente pleito eleitoral reafirmou o que já vinha sendo observado nas últimas eleições: as redes sociais vêm desempenhando um papel cada vez mais decisivo nas eleições brasileiras, de modo que as plataformas de interação digital se apresentam como um importante espaço de debate e formação de movimentos políticos – dentre eles, destaca-se o esforço conjunto de grupos que defendem a inserção da mulher na política.

Nesse sentido, a “Campanha de Mulher” surge como um projeto da Mídia NINJA que visa apoiar a candidatura de mulheres nas eleições de 2018 por meio do fornecimento de suporte de comunicação que engloba design, fotografia, audiovisual, assessoria de imprensa e redes sociais. O comprometimento com o enfrentamento da disparidade de gênero é um pressuposto para que a candidata participe da seleção via edital, sendo assim, um projeto voltado a candidaturas feministas.

Com o lema “Lutamos para votar, lutaremos para eleger”, a Campanha de Mulher auxiliou 148 (cento e quarenta e oito) mulheres de dez partidos diferentes, sendo 50 (cinquenta) candidatas do PT, 22 (vinte e duas) do PCdoB, 65 (sessenta e cinco) do PSol, 1 (uma) da REDE, 2 (duas) do PDT, 1 (uma) do Solidariedade, 2 (duas) do PCB, 1 (uma) do PMN, 1 (uma) do PODEMOS, 1 (uma) do PSTU e 2 (duas) do PSB.

Ressalta-se que a Campanha esteve presente nas cinco regiões do Brasil, em 19 unidades federativas. e que, do total de 345 (trezentos e quarenta e cinco) mulheres eleitas no Brasil esse ano, a Campanha de Mulher ajudou a eleger 28 (vinte e oito) mulheres de 12 (doze) unidades federativas (SP, MG, GO, RS, SC, RN, PB, AC, PE, BA, DF e RJ).

Figura 1: Unidades federativas nas quais foram eleitas mulheres que receberam o apoio da Campanha de Mulher.

São elas: Perpétua Almeida – PCdoB, Olívia Santana – PCdoB, Estela Bezerra – PSB, Juntas – PSOL, Natália Bonavides – PT, Erika Kokay – PT, Delegada Adriana Accorsi – PT, Áurea Carolina – PSOL, Margarida Salomão – PT, Andreia de Jesus – PSOL, Beatriz Cerqueira – PT, Marília Campos – PT Jandira Feghali – PCdoB, Talíria Petrone – PSOL, Dani Monteiro – PSOL, Enfermeira Rejane – PCdoB, Monica Francisco – PSOL, Renata Souza – PSOL, Sâmia Bomfim – PSOL, Tabata Amaral – PDT, Erica Malunguinho – PSOL, Isa Penna – PSOL, Leci Brandão – PCdoB, Leninha – PT, Márcia Lia – PT, Fernanda Melchionna – Psol, Luciane Carminatti – PT e Maria do Rosário – PT.

As quatro candidatas que receberam apoio no Ceará, a candidata a senadora, Anna Karina Cavalcante – PSOL, e as candidatas a deputada estadual Adelita Monteiro – PSOL, Professora Vilani – PT e Raquel Andrade – PCdoB, não obtiveram o número de votos necessários para se elegerem.

Além disso, outro grupo, a PartidA – coletiva suprapartidária e orientada à esquerda -, lançou a campanha “Meu Voto Será Feminista”, uma iniciativa com o objetivo de promover o debate político e de impulsionar a candidatura de mulheres comprometidas com a questão da igualdade de gênero e com as pautas feministas. Segundo o site da PartidA, a campanha ocorre em dois eixos: nas ruas, por meio de rodas de debate, e nas redes sociais.

Diante da sistemática das redes sociais, nas quais o compartilhamento de posts e hashtags ocorre de maneira quase que instantânea, essa iniciativa lançou a hashtag “#MeuVotoSeráFeminista” e alcançou um número significativo de pessoas por meio da propagação de materiais (textos, vídeos e imagens) em veículos como Facebook, Instagram e Twitter, que pugnam pelo enfrentamento da subrepresentação feminina na política, promovendo o debate e a conscientização acerca da importância de ter mulheres feministas nos espaços de decisão política.

De fato, o número de mulheres disputando cargos políticos eletivos (independentemente de serem feministas ou não) é desproporcional ao número de mulheres que compõem o eleitorado, pois representem 52% do número total de eleitores, mas apenas 31,6% do total de candidatos. Essa desproporcionalidade é acentuada ao se observar o número de mulheres exercendo cargos políticos. Em 2019, por exemplo, as mulheres representarão apenas 15% da Câmara e 16% do Senado.

Frise-se que, apesar de o número de mulheres eleitas continuar desproporcional no âmbito do Poder Legislativo, bem como no do Poder Executivo, é necessário reconhecer o aumento no número de deputadas federais eleitas em 2018, um total de 77 (setenta e sete), ou seja, 26 (vinte e seis) a mais do que em 2014. Dentre elas, sete receberam o apoio da iniciativa “Meu Voto Será Feminista” – por meio da divulgação online no site após análise de dados disponibilizados em formulário: Luizianne Lins – PT/CE, Gleisi Hoffmann PT/PR, Samia Bomfim – PSOL/SP, Erika Kokay – PT/DF, Fernanda Melchionna – PSOL/RS, Áurea Carolina – PSOL/MG, Talíria Petrone – PSOL/RJ (Para conferir: clique aqui).

Ademais, receberam também o apoio da iniciativa e foram eleitas deputadas estaduais: Renata Souza – PSOL/RJ, Mônica Francisco – PSOL/RJ, Juntas – PSOL/PE, Andreia de Jesus – PSOL/MG, Marília Campos – PT/MG, Isa Penna – PSOLSP, Mônica da Bancada Ativista – PSOL/SP.

 

* Graduanda em Direito pela Universidade Federal do Ceará.