Por Vitória Olinda Barros*

Primeiramente, faz-se necessário esclarecer que o fato de um candidato ou candidata não estabelecer políticas específicas voltadas a um grupo social não significa necessariamente que ele ou ela não se importa com esse grupo. No entanto, também é imprescindível reconhecer que ter propostas específicas, detalhadas e realistas, voltadas a determinado grupo, demonstra um maior comprometimento com suas pautas políticas.

Tem-se que a desigualdade de gênero, problemática que afeta mais gravemente a parcela feminina da sociedade, é uma questão que permanece atual no cenário brasileiro, sendo necessárias políticas afirmativas específicas para combatê-la.

Nesse contexto, a análise dos planos de governo dos (as) candidatos (as) a partir de propostas voltadas especificamente às mulheres é um dos fatores que permite avaliar se esse grupo social é ou não uma prioridade diante de um eventual mandato.

A partir disto, optou-se por incluir também, nesse compilado, propostas direcionadas especificamente às mulheres negras e à população LGBTI, grupo social no qual parcela das mulheres estão inseridas diretamente e por se tratar de temática ligada à questão de gênero.

Do mesmo modo, são abordadas propostas relacionadas às creches, por afetarem de maneira substancial a vida de mulheres, a quem historicamente é atribuída a função de cuidar dos filhos com maior empenho, muitas vezes, sendo privadas de buscarem realizar-se no campo profissional.

Por fim, é importante destacar que não há oposição a que as mães dediquem tempo aos filhos.

Na realidade, a incoerência reside no fato de, na maioria dos casos, a divisão de tarefas com a figura paterna (nas relações heterossexuais) não ocorre em condições previamente acordadas que considerem homens e mulheres em condições paritárias, mas sim diante de uma imposição velada segundo a qual o homem deve prover o sustento do lar e a mulher deve apenas cuidar dos filhos, sendo, os padrões diferentes desses, frequentemente considerados como extraordinários ou anormais.

Confira nos links abaixo as propostas de cada candidato à Governador(a) e a Vice-Governador(a) do Estado do Ceará direcionadas especificamente às mulheres:

 

1. Ailton Lopes (PSOL) e Raquel Lima (PCB) – 50 (clique aqui)

2. Camilo Santana (PT) e Izolda Cela (PDT) – 13 (clique aqui)

3. General Theophilo (PSDB) e Emilia Pessoa (PSDB) – 45 (clique aqui)

4. Francisco Gonzaga (PSTU) e Reginaldo Ferreira (PSTU) – 16 (clique aqui)

5. Hélio Góis e (PSL) Ninon Tauchmann (PSL) – 17 (clique aqui)

 

*Graduanda em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC)

 

ANEXO – PERCENTUAL DE GÊNERO DOS CANDIDATOS(AS) À GOVERNADOR(A) E A VICE-GOVERNADOR(A) DO ESTADO DO CEARÁ